Quando eu era garoto, existia um quadro do Jô Soares na TV em que o protagonista resumia conversas longas e cheias de rodeios em uma só palavra que dizia tudo, sempre introduzida por "vou no popular". A idéia deste blog é ser claro nas opiniões. Vamos falar também de filmes, músicas, livros ou qualquer trabalho que valha a pena comentar.



terça-feira, 8 de março de 2011

Enquete

É bem provável que você já conheça algo semelhante a enquete apresentada, mas responda como se fosse a primeira vez.
A história é a seguinte:
Um grupo esta sobrevoando o oceano Pacífico em um balão, mas aconteceu um problema e ele vai cair em pleno mar, a não ser que uma pessoa seja jogada para fora. Com menos um passageiro o balão poderá chegar até uma pequena ilha deserta e o grupo terá uma chance de sobreviver.
Este não é um teste pra verificar valores espirituais. O objetivo é ser prático e jogar ao mar o conhecimento que você menos irá precisar.
Responda quem você vai jogar ao mar na enquete ao lado (abaixo do perfil). Daqui a duas semanas teremos o resultado.

sábado, 5 de março de 2011

Manual do babaca

Nada melhor do que uma festa de trabalho pra revelar o babaca interior.

Estava numa festa dessas quando vi chegar à mesa um pavê, antes que algum colega se manifestasse tratei de bancar o Mané soltando a piada infame “é pavê ou pra comer?”. Depois expliquei pra todos os presentes que fiz aquilo pra evitar que algum colega se expusesse com essa conversa besta, por isso fiz o sacrifício.

Acabei de fazer minha exposição quando entrou um colega incauto que eu havia esquecido de contabilizar. Não demorou para ele ver o pavê e dizer,  pra todo mundo ouvir, “é pavê ou pra comer?” Um constrangimento geral.

Por causa deste fato comecei a pensar nas babaquices prontas que ouvimos no dia a dia, são aquelas frases de efeito que nos provocam aquele sorriso amarelo, ninguém mais acha graça, mas elas continuam surgindo da boca de algum amigo que quer ser engraçado.

Vou citar algumas dessas expressões que já ouvi repetidas vezes:
Tem aquela que dizem quando chegamos ao trabalho e falamos que já almoçamos, aí o cara fala “ih, já veio comido de casa”.

Quem se lembra daquela do barbeiro? Na verdade são duas frasezinhas “Já sei, você disse capricha e ele entendeu pra bicha”; “você pediu pro barbeiro abaixa na frente e pica atrás”.

Você está na caixa eletrônico retirando dinheiro e o cara diz “não vai tirar tudo, deixa um pouco pra mim”. Podre! Vale também pra quando você está bebendo água em bebedouro.

“Onde você comprou esta roupa tinha pra homem?”, esta é pra quando você põe aquela roupa nova, crente que está abafando.

E tem aquelas perguntas capciosas “que time é teu?”, ou quando a gente pergunta se vai tudo bem o cara responde “não como você, mas vou labutando”.

E por aí vai um monte de besteiras, são muitas. Dá pra escrever um manual de como se comportar babacamente com as palavras, e quem sabe o interessado consiga uma boa aceitação social, também se não conseguir “tem culpa eu?”

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Você acredita em Deus?

Outro dia me perguntaram se eu acreditava em Deus. Respondi que acredito até o dia em que Ele me contar uma mentira.
Quando eu era garoto tinha um amigo chamado Beto que sempre contava mentiras. Quando alguém afirmava algo como “não acredito em fantasmas” eu logo dizia “não acredito no Beto”.
Uma pessoa só não acredita em alguém quando o conhece muito bem, portanto um indivíduo que não acredita em fantasmas, duendes ou Gnomos na verdade sabe que eles existem mais do que ninguém, o problema é que em algum momento tiveram uma decepção por ouvir deles uma lorota.
Quem se lembra daquele adesivo da Xuxa que dizia “eu acredito em gnomos”? Alguma coisa eles disseram que conseguiram convencê-la de que não eram mentirosos.
Enfim, acho que estes seres são como todo mundo, algumas vezes mentem e outras falam a verdade, menos o Beto que, pra mim, sempre mentia.

 

Ainda não sei se devo acreditar nos anões de jardim que puseram aqui no condomínio.
Até hoje não disseram nada.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Conversa no metrô

Um dia destes estava no metrô do Rio de Janeiro, era uma manhã quente e o vagão se encontrava lotado. Entre os passageiros estavam duas mulheres conversando, como se estivessem na sala de suas casas, uma falou pra outra:
- Eu estava parada no sinal de trânsito quando uma menina veio me pedir um trocado. Eu falei pra ela ir lá em casa lavar uma louça que eu dava o dinheiro pra ela. Não é que a menina virou as costas e foi embora.”
Assim ela contou sua estória, em voz alta, convicta que estava abafando, como se proferisse algo de muita sabedoria. Foi aí que um homem, encravado no meio da multidão apertada, resolveu entrar no assunto e retrucou:
- Se a menina concordasse em entrar no seu carro para lavar sua louça, a senhora ia colocar ela pra dentro e levar para sua casa?
A mulher, indignada com a intromissão, respondeu:
- A conversa ainda não chegou na cozinha!
Começou então uma vaia geral. Outro passageiro entrou na discussão:
- Falar é fácil, quero ver levar a menina pra casa
A plenária estava aberta. A viagem se tornou divertida e passou rapidinho.
Moral da estória: Quando você ouvir alguma baboseira e achar bonito, não saia por aí repetindo em voz alta no meio da multidão sem antes refletir. Corre o risco de aparecer alguém inesperadamente e destruir seu fraco argumento clichê. A vergonha será inevitável.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Quanto tempo da vida eu levo para ser feliz

Este é o título da peça teatral que assisti no último domingo, 13. Resolvi comentar o espetáculo porque o argumento coincide com algumas coisas que tenho pensado ultimamente.
A peça retrata a estória de duas famílias de classe média que, vistas por uma lente de aumento, sofrem com problemas que são comuns a muitos de nós humanos. Os conflitos apresentados na trama fazem cair por terra o mito de que “a grama do vizinho é mais verde”.
Há algum tempo já comprovei que todos neste planeta passamos pelas mesmas mazelas. Não há família perfeita nem pessoas sem problemas. Há sempre uma doença, um parente “chave de cadeia”, um desemprego, uma separação, um emprego ruim ou qualquer outra coisa que vai nos tirar a paz.
Hoje penso que para cada momento de prazer na vida você tem cinco de pesar. Por exemplo, considero dar um mergulho no mar um grande prazer, como moro em Brasília, para conseguir isso preciso comprar uma passagem aérea, enfrentar fila no guichê, atraso do avião, procurar hospedagem, passar protetor solar, e por aí vai.
A vida não existe para sermos felizes, tem outro objetivo, mas não este. Como diz a música de Odair José “não existe felicidade, o que existe são momentos felizes”.
Esse papo de que precisamos perseguir a felicidade é propaganda para consumirmos. Querem nos fazer crer que podemos atingir a plenitude da vida adquirindo bobagens. É por conta desta busca por ser feliz que embarcamos em teologias furadas, como a da prosperidade, que pregam que o sentido da vida é conquistar bens materiais.
Este comentário é para reflexão, não quer dizer que eu seja pessimista, ou depressivo, muito pelo contrário. Estou bem animado para curtir os momentos felizes e nos momentos difíceis vou tentar ter paciência. Uma coisa que realmente pode dar prazer à vida é ajudar nosso próximo. As relações humanas são preciosas e nos dão grande prazer.
A peça esta em cartaz até 27 de fevereiro, de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 20h, no Centro Cultural Banco do Brasil (SCES Trecho 02, lote 22; 3310-7087). Ingressos: R$ 15 e R$ 7,50 (meia). Não recomendado para menores de 14 anos.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Canções do Exílio, no Canal Brasil

Tive o prazer de assistir, na última quarta-feira, ao segundo capítulo da série Canções do Exílio, que foi exibido no canal Brasil. Lamento por não ter tido conhecimento com antecedência sobre o programa, mas tenho a esperança de que será repetido em breve. Foi exibido em três capítulos nos dias 8, 9 e 10 de fevereiro.
Na série, dirigida por Geneton Moraes Neto, Caetano Veloso e Gilberto Gil relatam fatos do exílio durante a ditadura militar no Brasil. Participam também Jards Macalé e Jorge Mautner .
No capítulo a que assisti, Caetano revela fatos inéditos sobre o tempo que morou em Londres e sua volta ao Brasil, com autorização do governo militar.
Muito bom para conhecermos um pouco mais da história do Brasil contemporâneo, contada de uma forma atraente e irresistível.
Este é o link da chamada do programa: http://canalbrasil.globo.com/cancoesdoexilio

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Você também é uma ilha?

Tenho um amigo que se gaba em dizer que é uma ilha
Já conheceu alguma pessoa que diz não se envolver com gente dos lugares que freqüenta?
Vou explicar melhor, pois eu já tive a oportunidade de encontrar pessoas assim. Aqui em Brasília tem um montão delas.
São indivíduos engraçados, se você diz pra eles que tem amigos na academia de ginástica, por exemplo, eles reagem dizendo que não gostam de fazer amizade com gente de academia. São várias as justificativas para não entrar em contato, “são pessoas vazias”, “só pensam no corpo”, e outras abobrinhas mais.
De repente você convida o mesmo sujeito para uma reunião de lazer com os membros do condomínio. Ele diz que prefere não se envolver com vizinhos, pois podem acabar por se meter na sua vida e invadir sua privacidade.
Aí você começa a ficar curioso e quer saber se ele prefere se relacionar com pessoas da igreja que freqüenta, colegas de trabalho, ou a família. Para surpresa nossa ele justifica, para cada uma instituição, por que não gosta de manter relacionamento. “O povo da igreja é muito fofoqueiro. Não gosto de confundir trabalho com vida pessoal. Família só trás problemas, melhor ficar longe”.
Imaginamos que este sujeito deve ser uma daquelas pessoas que não sai do bate papo da internet. Descobrimos então que não, ele detesta conversar pelo computador, pois acha que lá as pessoas são degeneradas. Não sobra opção, com quem o infeliz se relaciona?
Não sei a fundo o motivo desse estranho comportamento, talvez seja influência de revistas semanais, individualismo, tendência atual de comportamento, ou simplesmente medo.
Mas a verdade é que as pessoas que estão nas academias, condomínio, trabalho, igreja, boate, barzinho, família ou internet, são gente como todo mundo. As pessoas não são exclusivas destes locais ou instituições, muito menos tem personalidade atrelada ao local que freqüentam. Besteiras desse tipo acabam virando chavão, comentário sem a menor reflexão.
Um dos maiores prazeres da nossa existência é se relacionar com o próximo. Não podemos esquecer que estamos todos no mesmo barco, somos farinha do mesmo saco, portanto aproveitemos o que a vida nos dá de melhor.