Quando eu era garoto, existia um quadro do Jô Soares na TV em que o protagonista resumia conversas longas e cheias de rodeios em uma só palavra que dizia tudo, sempre introduzida por "vou no popular". A idéia deste blog é ser claro nas opiniões. Vamos falar também de filmes, músicas, livros ou qualquer trabalho que valha a pena comentar.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Panela de pressão
Postado por
Alex Franzini
Toda vez que vou cozinhar feijão na panela de pressão fico apreensivo. Artefatos deste tipo explodem pra valer. Penso que a origem desta fobia vem da pré-adolescência.
Certa vez numa manhã bucólica brincava no quintal da minha casa tranquilamente, a mãe havia saído com meu irmão mais novo, em casa estávamos somente eu e minha irmã, que vigiava o feijão no fogo.
De repente ouvi uma explosão e senti o chão tremer, o estrondo veio da cozinha. O susto foi grande, saí para ver o que havia acontecido. É claro que toda a vizinhança ouviu também o estardalhaço.
Quase que instantaneamente meus vizinhos começaram a minar para dentro de nossos domínios, vinham de todos os lados. Formou-se uma pequena multidão na porta da cozinha, onde eu também estava querendo saber o que havia ocorrido. Minha irmã saiu de lá de dentro, de um mar de estilhaços de feijão preto, e falou com cara de paisagem para os curiosos:
- Barulho? Não ouvi. Ué... Não sei do que vocês estão falando.
Foi difícil acreditar no que ela disse, pois estava coberta de feijão dos pés a cabeça, o exaustor havia sido arrancado, a pia de aço inox estava vincada, havia um furo no teto e uma panela retorcida no chão. As paredes estavam pintadas de preto, uma cena dantesca. Mas diante da negação e da cara de “não imagino do que se trata” da minha irmã os vizinhos resolveram não perguntar mais e se retiraram.
Eu dei um toque que achava que eles não tinham engolido a estória de que nada havia ocorrido, mas minha irmã estava brava com a invasão da casa.
Até hoje não sei se ela se queimou com todo aquele feijão na cara e nos cabelos. Engraçado, nunca encontramos o pino preto da tampa da panela. A mim restou o medo de ferver coisas na panela de pressão.
Certa vez numa manhã bucólica brincava no quintal da minha casa tranquilamente, a mãe havia saído com meu irmão mais novo, em casa estávamos somente eu e minha irmã, que vigiava o feijão no fogo.
De repente ouvi uma explosão e senti o chão tremer, o estrondo veio da cozinha. O susto foi grande, saí para ver o que havia acontecido. É claro que toda a vizinhança ouviu também o estardalhaço.
Quase que instantaneamente meus vizinhos começaram a minar para dentro de nossos domínios, vinham de todos os lados. Formou-se uma pequena multidão na porta da cozinha, onde eu também estava querendo saber o que havia ocorrido. Minha irmã saiu de lá de dentro, de um mar de estilhaços de feijão preto, e falou com cara de paisagem para os curiosos:
- Barulho? Não ouvi. Ué... Não sei do que vocês estão falando.
Foi difícil acreditar no que ela disse, pois estava coberta de feijão dos pés a cabeça, o exaustor havia sido arrancado, a pia de aço inox estava vincada, havia um furo no teto e uma panela retorcida no chão. As paredes estavam pintadas de preto, uma cena dantesca. Mas diante da negação e da cara de “não imagino do que se trata” da minha irmã os vizinhos resolveram não perguntar mais e se retiraram.
Eu dei um toque que achava que eles não tinham engolido a estória de que nada havia ocorrido, mas minha irmã estava brava com a invasão da casa.
Até hoje não sei se ela se queimou com todo aquele feijão na cara e nos cabelos. Engraçado, nunca encontramos o pino preto da tampa da panela. A mim restou o medo de ferver coisas na panela de pressão.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Cabeça de cavalo verde
Postado por
Alex Franzini
Certo dia bateu em minha casa uma senhora velha amiga da família. Ela trazia um presente numa grande caixa de papelão. Minha mãe recebeu a prenda e sem delongas abriu-a ali mesmo na sala de estar, diante de mim, de meus irmãos e, é claro, da visita.
Foi uma surpresa, grande e embaraçosa, era uma enorme cabeça de cavalo verde de cerâmica esmaltada. Era perceptível que minha mãe ficou sem palavras, então a visitante se adiantou: “Esta cabeça é para ser colocada encima do piano”. Não precisava dizer nada, estávamos todos chocados.
Na pequena sala de visitas tínhamos um antigo piano de madeira entalhada que pertenceu, no início do século XX, a algum senhor fazendeiro que plantava cacau na Bahia. O conjunto, cabeça de cavalo e piano, correspondia a 50% do cômodo, as cores marrom e verde formavam uma combinação pouco agradável aos olhos. O presente acabara de chegar e já precisávamos nos livrar dele.
A mãe que era muito sincera, não o pode ser naquele momento. Sorriu amarelo e agradeceu pela cabeça colorida e desproporcional.
Após a saída da visitante fizemos uma reunião de emergência. Não havia hipótese de manter meio cavalo verde sobre o piano, mas como fazer já que a estimada senhora nos visitava constantemente? A ideia que tivemos era a de que toda vez que nossa velha amiga viesse colocaríamos o cabeção no lugar que ela determinou. A princípio a operação parecia fácil.
Quando ela tocava campainha, olhávamos pela fresta da janela e corríamos para colocar o bibelô no lugar, ficava imaginando o quanto seria bom deixa-lo cair. O procedimento foi ficando infernal, correr com aquele cabeção era chato, muitas vezes não sabia onde ele havia sido guardado pela última vez, era comum, por algum motivo de organização, ser colocado em um quartinho separado nos fundos da casa.
Estávamos decididos, precisávamos quebrar aquele objeto equino. Seria fácil, era só deixa-lo cair no chão. Assim foi feito... Acredite, ele não quebrou. A consciência doeu e resolvemos dar outra chance àquela cabeça.
Certo dia ao chegarmos em casa recebemos a notícia, de uma moça que lá trabalhava, de que o enorme enfeite havia caído e quebrado enquanto ela limpava o quartinho dos fundos. A cabeça de cavalo verde havia nos deixado. A heroína que nos livrou da peça não entendeu por que ficamos tão felizes.
O inusitado presente não existia mais, hoje nem o piano, minha mãe ou nossa ilustre visitante, apenas a lembrança de um episódio que se tornou divertido em nossas memórias.
Foi uma surpresa, grande e embaraçosa, era uma enorme cabeça de cavalo verde de cerâmica esmaltada. Era perceptível que minha mãe ficou sem palavras, então a visitante se adiantou: “Esta cabeça é para ser colocada encima do piano”. Não precisava dizer nada, estávamos todos chocados.
Na pequena sala de visitas tínhamos um antigo piano de madeira entalhada que pertenceu, no início do século XX, a algum senhor fazendeiro que plantava cacau na Bahia. O conjunto, cabeça de cavalo e piano, correspondia a 50% do cômodo, as cores marrom e verde formavam uma combinação pouco agradável aos olhos. O presente acabara de chegar e já precisávamos nos livrar dele.
A mãe que era muito sincera, não o pode ser naquele momento. Sorriu amarelo e agradeceu pela cabeça colorida e desproporcional.
Após a saída da visitante fizemos uma reunião de emergência. Não havia hipótese de manter meio cavalo verde sobre o piano, mas como fazer já que a estimada senhora nos visitava constantemente? A ideia que tivemos era a de que toda vez que nossa velha amiga viesse colocaríamos o cabeção no lugar que ela determinou. A princípio a operação parecia fácil.
Quando ela tocava campainha, olhávamos pela fresta da janela e corríamos para colocar o bibelô no lugar, ficava imaginando o quanto seria bom deixa-lo cair. O procedimento foi ficando infernal, correr com aquele cabeção era chato, muitas vezes não sabia onde ele havia sido guardado pela última vez, era comum, por algum motivo de organização, ser colocado em um quartinho separado nos fundos da casa.
Estávamos decididos, precisávamos quebrar aquele objeto equino. Seria fácil, era só deixa-lo cair no chão. Assim foi feito... Acredite, ele não quebrou. A consciência doeu e resolvemos dar outra chance àquela cabeça.
Certo dia ao chegarmos em casa recebemos a notícia, de uma moça que lá trabalhava, de que o enorme enfeite havia caído e quebrado enquanto ela limpava o quartinho dos fundos. A cabeça de cavalo verde havia nos deixado. A heroína que nos livrou da peça não entendeu por que ficamos tão felizes.
O inusitado presente não existia mais, hoje nem o piano, minha mãe ou nossa ilustre visitante, apenas a lembrança de um episódio que se tornou divertido em nossas memórias.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Da série: Frases populares que não fazem o menor sentido
Postado por
Alex Franzini
Vamos começar exemplificando: você está no elevador lotado e solta um pum por que se sente bem sem gases nas tripas, não importa o que os outros pensem, no caso que você é um babaca mal educado e porco. Segundo a frase tosca é assim que você deve agir.
Parece, a princípio, causar um efeito positivo para quem fala demostrando personalidade, gênio forte ou qualquer baboseira do gênero, mas na verdade mostra que você não pensa e copia frases sem refletir nas tolices que elas transmitem, pura merda.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Carta ao Bernardo
Postado por
Alex Franzini
Parte 2
A
Religião
Religião é boa para o
aprendizado de valores nobres, como a importância de se amar ao próximo. Você vai
aprender que existe Deus, criador de todas as coisas naturais que podemos ver
ou não. É um canal para a percepção de que há um mundo espiritual além do
que somos capazes de perceber com os sentidos em nosso universo material.
Mas saiba que as religiões
são como cidadelas muradas. Dentro de seus muros há segurança, e as verdades
ali adotadas são o maior patrimônio de seus habitantes.
Há diversos destes
micro mundos a beira do caminho do conhecimento espiritual. Em algum momento
será preciso transpor estes muros para se continuar seguindo em frente nesta estrada.
Sair desta área de segurança exige coragem, porém é imprescindível para o desenvolvimento
da sabedoria do homem, matéria e espírito.
Conversando com o tio André
fiquei sabendo que fez uma comparação parecida sobre as religiões. Abaixo o
texto do tio André:
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Carta ao Bernardo
Postado por
Alex Franzini
Tudo é questionável, não há verdade absoluta. Hoje inicio esta série de textos com pensamentos simples da nossa vida que acredito serem coerentes, mas posso mudar de ideia amanhã, como já mudei muitas vezes antes. Portanto estes escritos são para você refletir e pensar se vale a pena tirar deles algum aprendizado. O que você não entender hoje poderá compreender no futuro, ou vice-versa.
Cada um de nós tem seu tempo para aprender, só não vale ficar parado, cristalizado em ideias fixas ou pré-concebidas, afinal quem muito sabe pouco aprende.
As pessoas querem a felicidade a qualquer custo, como se fosse mais um produto consumível. Querem adquiri-la para viverem felizes para sempre. Pasme! Ela não pode ser encontrada. O estado pleno e constante de felicidade é uma falácia. A vida real não é um site de relacionamentos onde tudo é como queríamos que fosse. A boa notícia é que existem os momentos felizes, estes podem ser encontrados! O chato é que para alcançar um deles você terá de enfrentar inúmeros obstáculos não tão agradáveis. Vale muito a pena viver por esses deliciosos instantes de felicidade.
Cada um de nós tem seu tempo para aprender, só não vale ficar parado, cristalizado em ideias fixas ou pré-concebidas, afinal quem muito sabe pouco aprende.
Parte 01
A Felicidade
As pessoas querem a felicidade a qualquer custo, como se fosse mais um produto consumível. Querem adquiri-la para viverem felizes para sempre. Pasme! Ela não pode ser encontrada. O estado pleno e constante de felicidade é uma falácia. A vida real não é um site de relacionamentos onde tudo é como queríamos que fosse. A boa notícia é que existem os momentos felizes, estes podem ser encontrados! O chato é que para alcançar um deles você terá de enfrentar inúmeros obstáculos não tão agradáveis. Vale muito a pena viver por esses deliciosos instantes de felicidade.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Uma esmola para uma senhora pobre
Postado por
Alex Franzini
Certo dia da minha adolescência caminhava pela praça IV com meu amigo Roberto quando fomos abordados por uma senhora, que nos pediu dinheiro. Contou sua estória triste que veio atrás de um emprego, mas não foi admitida por não ser mais jovem e precisava de algum tostão para voltar para casa, só faltou chorar. Coitada. Falei para ela que infelizmente só tinha uma nota de 10 e não poderia ajuda-la. Minha ideia era fazer a mulher desistir do pedido com uma solução inteligente, afinal eu passaria a ideia de que era legal e queria ajudar, só não tinha trocado. Na época eu era um estudante pobre, qualquer trocadinho fazia falta. Meu amigo Roberto, ingênuo como era, iria ver como eu era esperto.
Para surpresa minha a mulher tinha uma solução. Perguntou-me quanto eu podia dar, eu disse que um cruzado. Ela enfiou a mão na bolsa e me veio com um monte de moedas dizendo que podia trocar as 10 pratas. Bom, eu concordei, mas como não sou besta, pedi que ela me desse em notas, pois tinha um monte na bolsa dela e eu não ia ficar com o bolso pesado de níqueis. A mulher topou. Pedi uma nota de cinco e quatro de um como troco. Comentei com o Roberto que se a gente fosse bobo ela levaria as 10 pilas, pelo menos só levou uma. Foi uma boa ideia ela trocar o dinheiro.
Passado uns dias, viajava em meu ônibus, o infernal 260, quando a cena me veio à cabeça. A fixa caiu. Putz! Se a velhota tinha tanto dinheiro para trocar então... Eu era tão ingênuo quanto meu amigo Roberto, que também nem percebeu que havíamos sido enrolados pela tal senhora. A partir daquele dia me tornei cético quanto aos pedintes.
Para surpresa minha a mulher tinha uma solução. Perguntou-me quanto eu podia dar, eu disse que um cruzado. Ela enfiou a mão na bolsa e me veio com um monte de moedas dizendo que podia trocar as 10 pratas. Bom, eu concordei, mas como não sou besta, pedi que ela me desse em notas, pois tinha um monte na bolsa dela e eu não ia ficar com o bolso pesado de níqueis. A mulher topou. Pedi uma nota de cinco e quatro de um como troco. Comentei com o Roberto que se a gente fosse bobo ela levaria as 10 pilas, pelo menos só levou uma. Foi uma boa ideia ela trocar o dinheiro.
Passado uns dias, viajava em meu ônibus, o infernal 260, quando a cena me veio à cabeça. A fixa caiu. Putz! Se a velhota tinha tanto dinheiro para trocar então... Eu era tão ingênuo quanto meu amigo Roberto, que também nem percebeu que havíamos sido enrolados pela tal senhora. A partir daquele dia me tornei cético quanto aos pedintes.
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