Quando eu era garoto, existia um quadro do Jô Soares na TV em que o protagonista resumia conversas longas e cheias de rodeios em uma só palavra que dizia tudo, sempre introduzida por "vou no popular". A idéia deste blog é ser claro nas opiniões. Vamos falar também de filmes, músicas, livros ou qualquer trabalho que valha a pena comentar.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
terça-feira, 8 de abril de 2014
sexta-feira, 21 de março de 2014
O gato Zé Peroba
Postado por
Alex Franzini
Quando
era garoto e morava em Jacarepaguá, lá em casa nasceu um gatinho malhado de
branco e preto. Era filho único de uma gata negra que se hospedou no quintal. Foi batizado de José Peroba, nome dado pela minha
mãe, não sei por que. Passamos a chamá-lo Zé Peroba.
Observamos,
tão logo veio ao mundo, que Peroba possuía o estranho hábito de chupar o dedão
da pata dianteira. A mania bizarra chamava atenção. Sempre onde dormia deixava
uma poça de baba.
Era
um gato genioso, chato e mal humorado, nunca teve um irmão para dividir as
coisas, por isso se tornou também egoísta. Gostava de se divertir escondendo-se
atrás de algum móvel para nos surpreender e arranhar nossos pés, era infernal.
Não adiantava colocá-lo para fora e fechar os basculantes, ele empurrava e
entrava, invadia a casa por qualquer fresta que descuidadamente deixávamos, às
vezes trazia um amigo. Até hoje tenho pesadelos tenebrosos com isso.
O Zé
tinha uma dieta estranha, gostava de abacate e não dispensava um pedaço de
beterraba, o que tornava seu cocô avermelhado.
Naquela época não existia esta estória de sair
castrando os gatos, aí o Zé saia pra rua toda noite pra pegar gatinhas, fazia
um barulho amedrontador. Costumava nestes passeios surrar os gatos dos vizinhos.
Dia seguinte vinham as reclamações.
O
danado do gato gostava de dormir na minha cama quando eu estava ausente, nunca
conseguia flagrá-lo, mas o colchão afundado, quente e com pelos estava lá para
irritar.
Amávamos
o Zé Peroba, era parte da família. Certo dia simplesmente desapareceu. Até hoje
suspeito de um cara na vizinhança chamado Osni, o sujeito ficava sempre
acocorado na calçada em frente a sua casa e tinha uma tara de literalmente comer
os gatos da redondeza. Minha mãe até perguntou para ele, mas o cara-de-pau
negou sem olhar nos olhos.
A
mania de chupar o dedão perdurou durante toda a existência do gato. Saudades do
Zé Peroba.
quarta-feira, 19 de março de 2014
domingo, 2 de março de 2014
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Panela de pressão
Postado por
Alex Franzini
Toda vez que vou cozinhar feijão na panela de pressão fico apreensivo. Artefatos deste tipo explodem pra valer. Penso que a origem desta fobia vem da pré-adolescência.
Certa vez numa manhã bucólica brincava no quintal da minha casa tranquilamente, a mãe havia saído com meu irmão mais novo, em casa estávamos somente eu e minha irmã, que vigiava o feijão no fogo.
De repente ouvi uma explosão e senti o chão tremer, o estrondo veio da cozinha. O susto foi grande, saí para ver o que havia acontecido. É claro que toda a vizinhança ouviu também o estardalhaço.
Quase que instantaneamente meus vizinhos começaram a minar para dentro de nossos domínios, vinham de todos os lados. Formou-se uma pequena multidão na porta da cozinha, onde eu também estava querendo saber o que havia ocorrido. Minha irmã saiu de lá de dentro, de um mar de estilhaços de feijão preto, e falou com cara de paisagem para os curiosos:
- Barulho? Não ouvi. Ué... Não sei do que vocês estão falando.
Foi difícil acreditar no que ela disse, pois estava coberta de feijão dos pés a cabeça, o exaustor havia sido arrancado, a pia de aço inox estava vincada, havia um furo no teto e uma panela retorcida no chão. As paredes estavam pintadas de preto, uma cena dantesca. Mas diante da negação e da cara de “não imagino do que se trata” da minha irmã os vizinhos resolveram não perguntar mais e se retiraram.
Eu dei um toque que achava que eles não tinham engolido a estória de que nada havia ocorrido, mas minha irmã estava brava com a invasão da casa.
Até hoje não sei se ela se queimou com todo aquele feijão na cara e nos cabelos. Engraçado, nunca encontramos o pino preto da tampa da panela. A mim restou o medo de ferver coisas na panela de pressão.
Certa vez numa manhã bucólica brincava no quintal da minha casa tranquilamente, a mãe havia saído com meu irmão mais novo, em casa estávamos somente eu e minha irmã, que vigiava o feijão no fogo.
De repente ouvi uma explosão e senti o chão tremer, o estrondo veio da cozinha. O susto foi grande, saí para ver o que havia acontecido. É claro que toda a vizinhança ouviu também o estardalhaço.
Quase que instantaneamente meus vizinhos começaram a minar para dentro de nossos domínios, vinham de todos os lados. Formou-se uma pequena multidão na porta da cozinha, onde eu também estava querendo saber o que havia ocorrido. Minha irmã saiu de lá de dentro, de um mar de estilhaços de feijão preto, e falou com cara de paisagem para os curiosos:
- Barulho? Não ouvi. Ué... Não sei do que vocês estão falando.
Foi difícil acreditar no que ela disse, pois estava coberta de feijão dos pés a cabeça, o exaustor havia sido arrancado, a pia de aço inox estava vincada, havia um furo no teto e uma panela retorcida no chão. As paredes estavam pintadas de preto, uma cena dantesca. Mas diante da negação e da cara de “não imagino do que se trata” da minha irmã os vizinhos resolveram não perguntar mais e se retiraram.
Eu dei um toque que achava que eles não tinham engolido a estória de que nada havia ocorrido, mas minha irmã estava brava com a invasão da casa.
Até hoje não sei se ela se queimou com todo aquele feijão na cara e nos cabelos. Engraçado, nunca encontramos o pino preto da tampa da panela. A mim restou o medo de ferver coisas na panela de pressão.
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